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Espreguiçar faz bem? O que acontece quando nos espreguiçamos

5 Out 2023 - 11:08

Espreguiçar faz bem? O que acontece quando nos espreguiçamos

O movimento é inato: colocam-se os braços para cima e, durante alguns segundos, sente-se um esticar dos músculos. O ato de espreguiçar ocorre, normalmente, na hora de acordar. No entanto, durante o dia, também é possível sentir esta necessidade de alongar os músculos, principalmente depois de um longo período de inatividade. 

O ato involuntário de espreguiçar é conhecido cientificamente como pandiculação e representa um reflexo associado ao alongamento dos tecidos musculares que ocorre, principalmente, nas transições de comportamento dos ciclos biológicos – nomeadamente na passagem do sono para a vigília.

No decorrer do dia, os longos períodos de inatividade (como estar muitas horas sentado ao computador) podem também causar a necessidade de esticar o corpo. Realizar alongamentos regulares pode evitar a perda de mobilidade e promover a flexibilidade dos músculos.

O que acontece quando nos espreguiçamos?

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Quando acordamos sentimos uma necessidade de esticar os músculos, o que nos leva ao ato de espreguiçar. Na prática, estamos a fazer “um reset do nosso sistema nervoso central, preparando o organismo para responder aos estímulos ambientais” que existem durante o estado de vigília, esclarece ao Viral Cristina Duque, neurologista no Hospital Pedro Hispano.

O ato de espreguiçar associado aos humanos foi também identificado em várias espécies animais. Num artigo, publicado em 2010, é referido que este reflexo (que muitas vezes ocorre em simultâneo com o bocejar) está associado à “função de estimulação”, uma vez que “parece redefinir o sistema nervoso central para o estado de vigília após um período de sono”.

Espreguiçar e bocejar são atos associados à “manutenção do estímulo e da atenção”, uma vez que “definem e mantêm o sistema nervoso central e locomotor ativo para que o animal seja capaz de perceber os estímulos ambientais e responder”, prosseguem os investigadores, citando artigos publicados anteriormente.

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Além da estimulação do sistema nervoso central, Cristina Duque refere outra função associada ao espreguiçar: “Aliviar a rigidez matinal”. 

Durante o sono, o corpo assume uma posição estática durante várias horas, sendo necessário preparar “os músculos para a atividade”. 

Quando nos espreguiçamos, ocorre um “aumento do fluxo sanguíneo nos músculos e uma alteração do tónus muscular”, esclarece a neurologista.

No mesmo sentido, Paulo Santos, especialista em Medicina Geral e Familiar e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), refere que a pandiculação pode estar associada a uma “sensação de melhoria da amplitude do movimento das articulações” que tem “um efeito analgésico, seja por melhorar a rigidez, seja pela libertação de endorfinas (muitas vezes apontada na literatura, mas não inequivocamente demonstrada)”.

Apesar de se conhecer o efeito que o ato de espreguiçar tem, há uma pergunta que ainda está por responder: porque nos espreguiçamos? A ciência ainda não identificou a razão exata, mas sabe-se, no entanto, que o ato de espreguiçar começa no útero, mais particularmente “nas 12 semanas de gestação”

Pensa-se também que a pandiculação poderá estar associada à formação do “nosso sistema motor”, explica Cristina Duque.

Espreguiçar ou alongar? Qual a diferença?

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Não é só de manhã que nos espreguiçamos. Muitas vezes, após longos períodos de inatividade, também surge uma necessidade de esticar os braços e deixar o organismo espreguiçar-se durante alguns segundos. 

Outras vezes, podemos simplesmente alongar os músculos de forma voluntária, o que também traz benefícios para os músculos e articulações.

Uma situação de inação prolongada pode criar a necessidade de uma pessoa realizar um ato de pandiculação durante o dia

Paulo Santos explica que, por exemplo, “um funcionário do setor terciário que passa horas em frente ao computador” pode sentir um efeito nos músculos semelhante ao obtido após o “período noturno de sono”. Neste caso, o indivíduo poderá realizar “alongamentos musculares, em tudo semelhantes ao ato de espreguiçar”.

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Apesar de serem movimentos semelhantes, espreguiçar-se involuntariamente é diferente de fazer um alongamento voluntário

No artigo “Pandiculação: a maneira natural de manter a integridade funcional do sistema miofascial?”, os investigadores explicam que “as sensações produzidas por uma pandiculação espontânea são diferentes das que acompanham uma ‘pandiculação volitiva’ ou um alongamento volitivo dos tecidos moles”.

Mesmo que não sinta a necessidade de se espreguiçar, é aconselhável que realize alongamentos regulares dos músculos.

Hugo Pombo, fisiologista do exercício e coordenador do ginásio da Clínica Fisiogaspar, recomenda que se alongue e ative os músculos “pelo menos de hora a hora”.

“Para quem passa muito tempo sentado, o alongamento é um bom ato em termos morfológicos e fisiológicos”, sustenta.

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O fisiologista do exercício adianta que, “nos novos tempos, as profissões são mais sedentárias e temos uma tendência natural para um encurtamento da cadeia anterior do nosso corpo”.

Assim sendo, ao espreguiçarmo-nos “estamos a realizar o movimento inverso, alongando as estruturas, reposicionando as fibras musculares e deixando de criar tantas tensões”, explica. 

Alongar regularmente e ativar os músculos ajuda a evitar “a perda de mobilidade que a médio e longo prazo se instala no nosso organismo”, prossegue o fisiologista.

5 Out 2023 - 11:08

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